Sobre os mestres

Penso que um guru de verdade, desses míticos, serviria para apenas uma coisa. Você sentaria na frente dele, tentando absorver a sua energia, aura, o que for, e ele, sutil e diretamente, lhe faria perceber que tudo que vê nele emana de você. Ele não jogaria o jogo. Não entraria na ficção de que ele é um mestre exaltado e você um pobre discípulo. Talvez ele lhe agarrasse pelos cabelos e gritasse continuamente até que você entrasse em choque e ficasse absolutamente vazio por dentro, capaz de refletir a única coisa que ele tem a mostrar. Ele seria como uma pílula de memória que lhe fizesse lembrar de tudo que você esqueceu quando entrou nesse plano – nada mais, nada menos. No Talmud existe uma passagem que afirma que antes do nascimento de uma criança uma luz é acesa por trás de sua cabeça. Naquele momento toda a Torá que lhe é ensinada. Mas na hora do nascimento um anjo lhe toca os lábios e tudo é esquecido. E a vida inteira é gasta para lembrarmos daquilo que já soubemos. E talvez esse conhecimento seja um anti-conhecimento aqui embaixo. Não deve ter a forma de um conhecimento normal, um saber comum. Deve ser diferente. Deve ser uma espécie de ruptura epistemológica no tecido da realidade. Um mestre de verdade, um verdadeiro jnani, deveria ser capaz de fazer isso. Penetrar em você mesmo e estourar a bolha da estória de uma vez.