A noite profunda

Lutei contra mim mesmo, me torturei e me
parti em pedaços;
incansavelmente me puni pelos pecados imemoriais
do homem, incessantemente lutando contra uma
prisão invisível sem início e sem forma;

No nada primordial me debatia,
na solidão do deserto das máquinas
e do mundo dos esquecidos,
dos caminhos ermos daqueles
que não vêem.

Em silêncio me movi em tua direção,
sem saber onde as minhas mãos eram levadas.

Mergulhei nas trevas densas do coração humano,
sofri na intempérie do sofrimento imemorial que
o homem carrega, e cheguei na pedra oculta.

Te vi num esplendor absoluto dentro de mim
mesmo, e o brilho da tua essência dissolveu
tudo que era.

Na ruínas do meu ser tu te mostrastes, e o espelho
da vida revelou o segredo impossível de ser descrito.

Então a estrela colapsou sobre o seu próprio peso,
e na escuridão mais uma vez fui lançado.

Nas trevas profundas do desespero me encontrei,
e no meu peito a esperança da salvação permanecia
como a minha pior torturadora.

Clamava pelas noites sem brilho procurando-te,
mas não me respondias.

O entendimento me falhava e tudo era caos
e desolação.

Onde estava a fonte da vida que havia brotado
no meu peito como uma torrente celestial?

Onde estava a visão do meu verdadeiro ser,
consolo pelas infindáveis caminhadas pela eternidade?

Nada mais era.

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